CAPOEIRA FALA BEM?

A CAPOEIRA E A NOVA MENTALIDADE

 

 

 

 

 

Algumas questões provocam verdadeiros escândalos na Capoeira.

Em nosso último artigo: “Capoeira: Sexo, Violência e Fofoca” debatemos sobre como a violência, o apelo sexual e a fofoca são fontes geradoras de polêmicas a ponto de direcionarem as conversas presenciais ou virtuais continuamente para estes mesmos temas.

Terminamos com esta colocação: “Diariamente são postados centenas de vídeos e textos sobre cultura, política, corpo e outros assuntos super interessantes à Capoeira. No entanto, vídeos escandalosos e mensagens de fofoca fazem mais sucesso.

Basta postar algo como: “Tem muito capoeirista comprando seu título de Mestre” ou “Olhe o trabalho de beltrano: isso não é Capoeira!” para se ganhar uma visibilidade baseada na fofoca. Quem nunca viu um mestre de Capoeira que passa a maior parte do seu tempo falando mal do trabalho dos outros?”.

Prometemos outro artigo que refletisse mais sobre este tema. Bom, aqui está.

A fofoca é uma tradição?

 

Este é um velho ditado, que os antigos já dizia

Na boca de quem não presta, quem é bom não tem valia

Sei que tu fala de mim, sei que tu mesmo falou

Caveira quem te matou, foi a língua, meu senhor

Seja na Angola, na Regional, na Regi-angola ou na Angola-anal, é impressionante a fofocaria entre nós, capoeiristas.

É um hábito passado de geração em geração no seio de nossa comunidade, transmitindo valores e costumes que fazem parte da nossa identidade.

Mas como essa cultura se propaga?

Bom, tudo de bom e de ruim que existe em nosso meio só se mantém vivo caso os mais novos reproduzam o que aprenderam dos mais velhos. Quem está começando vai recebendo informações de como deve se comportar, além de aprender as pernadas, os toque e tudo o mais, certo?!

Caso encontre um ambiente onde os mais antigos estão o tempo todo difamando uns aos outros, sua tendência vai ser reproduzir este comportamento para ser aceito no ambiente.

Te convido para refletirmos juntos.

Todos já vimos mestres de referência estarem em um mesmo evento como convidados e um fazer questão de falar mal do outro, com frases do tipo:

“Este pseudo-capoeira não é um verdadeiro capoeirista!” (Pode-se trocar o “pseudo-capoeira” por “pseudo-angoleiro”, “pseudo-regional”, “pseudo-mestre” ou qualquer outra denominação).

Ou

“Fulano comprou seu título”

“Fulano está formando capoeiristas por dinheiro”

Agora, me diga quantas vezes você já ouviu frases como essa:

“Mestre Fulano é excelente no que faz! Eu reconheço que ele trabalha super bem e já apliquei um monte de coisas que ele ensinou com ótimos resultados!”

ou

“Gente, descobri como cadastrar projetos de Capoeira neste edital de patrocínio do governo. Tem um passo-a-passo que facilita bastante! Vou ensinar para vocês poderem cadastrar os seus!”

ou

“Peguei a manha de usar o facebook para conseguir divulgar melhor minhas aulas, vou ensinar a vocês como é”

Muito dificilmente.

Os encontros, mesas-redondas e debates muitas vezes se perdem em ti-ti-tis infrutíferos em que os que estão presentes falam mal dos que não estão, no lugar de debaterem assuntos específicos sobre nossa realidade profissional, trocarem conselhos, conhecimentos e experiências.

Quando a maré sobe, todos os barcos sobem junto

O problema desta cultura da fofoca é que estamos todos no mesmo mar.

Não importa se você gosta ou não do estilo do outro cara, ele é capoeira igual a você. Ele representa a classe, portanto te representa. Quando as pessoas na rua olham para os dois, vêem a mesma coisa. Os gestores públicos também. Até aqueles seus familiares que não entendem muito de Capoeira acham que vocês fazem a mesma coisa.

Pro bem ou pro mal, estamos juntos nesse mar.

Quando a maré sobe, todos os barcos sobem junto. Igualmente, quando a maré baixa, todos os barcos baixam junto.

E o que você está fazendo?

A postura de cada capoeirista influencia diretamente na maré. Quando você fala bem e reconhece o valor de outro capoeirista, especialmente de um que não seja seu amigo, você está fortalecendo a Capoeira e contribuindo para a alta da maré.

Quando você segue na tradição da fofoca, repetindo os velhos chavões passados de geração em geração, você contribui para a baixa da maré.

Não deixe o sistema te enganar! A fofoca te prejudica

Falar mal pode ser prejudicial ao outro, mas nem sempre é. Muitas vezes o marketing negativo é exatamente o que o outro deseja. É assim que políticos escandalosamente racistas ou homofóbicos ganham notoriedade.

Agora, o que é certo é que fofocar faz mal para quem fofoca, por 3 motivos:

Em primeiro lugar, você está parando a sua vida para falar mal do outro, no lugar de estar trabalhando para o seu próprio avanço.

Em segundo lugar, se o outro faz parte da mesma coisa que você, ele representa uma parte da sua profissão. Falando mal dele, você está falando mal de si próprio.

Finalmente, ao falar mal do outro, você serve à lógica de um sistema de poder que só quer nos dividir.

Imagine como seria perigosa e revolucionária uma classe unida de dançarinos-lutadores-artistas de diversas idades e sexos, com milhões de praticantes espalhados em centenas de países!

Seríamos invencíveis! Um problema e tanto para o sistema!

Não confunda fofoca com denúncia

 

Se você está vendo uma postura de machismo, racismo, homofobia ou qualquer tipo de opressão, você deve publicar, gritar e denunciar. Você está expondo um assunto geralmente silenciado e que deve ser levado à tona.

Isso é diferente de falar mal, caluniar, difamar, julgar moralmente, rotular precipitadamente ou ironizar sem pesquisar.

É fácil fazer o teste para saber a diferença: na próxima vez em que você for falar, insinuar ou publicar algo sobre alguém, passe a informação nas 3 peneiras:

– A peneira da VERDADE: certifique-se de que o que está falando seja verdadeiro. Confira os fatos. Converse com todos os lados envolvidos. Averigue.

– A peneira da BONDADE: o que você vai falar faz bem para você ou para alguém? Faz bem para a coletividade? Faz bem para quem escuta?

– A peneira da NECESSIDADE: é realmente necessário passar para a frente o que você vai dizer? Vai ajudar a resolver alguma coisa? É importante para os demais?

Passando na peneira

Qualquer nicho profissional, quando se une, ganha força e cresce em qualidade. Não importa se são operários, médicos ou estivadores, a união fortalece a classe. Com a Capoeira não é diferente.

Se unir é saudável, inteligente e estratégico! É preciso respeitar quem trabalha com o que você trabalha. É preciso valorizar quem trabalha de forma diferente da sua. É preciso ajudar os que estão começando.

É preciso fortalecer os que estão sofrendo na maré baixa.

Quando uns estão ajudando e valorizando os outros o movimento se fortalece e a maré vai subindo e subindo, fazendo com que todos os barcos subam juntos.

3 dicas para melhorar a maré

Compare-se com sabedoria

A vontade de medir os outros pela própria régua moral é tentadora. Quando bater esta vontade de julgar os outros, experimente comparar o seu passado com o seu presente. Você sempre agiu da forma como age hoje? Você nunca errou?

Use as redes sociais para trabalhar
As redes sociais são ferramenta de trabalho. Se você passa seu tempo de produção falando mal da vida alheia no facebook, está perdendo tempo, energia e dinheiro.

Pense em você mais do que nos outros
Se você está revoltado e cansado “disso tudo aí que  ‘essas’ pessoas estão fazendo” procure olhar para dentro do seu coração, da sua alma e do seu bolso. São três lugares que você não quer vazios. Trabalhe, estude e foque na sua vida pessoal e profissional.

 

Campanha do Bem Falar

Como vencer o desejo de fofocar e de falar mal de alguém, se este hábito já está tão arraigado na conduta dos capoeiras?

Simples: deu vontade de falar de alguém? FALE BEM!

Ao repetir um hábito negativo, ficamos negativos e ao repetir um hábito positivo, ficamos positivos.

Para mudar a programação mental basta iniciar a tomada de ação.

Participe da campanha #CAPOEIRAFALABEM

Está bombando a campanha #capoeirafalabem no Facebook, no Instagram e no zap. Participe!

Durante 7 dias, você pode falar bem de 7 capoeiristas em suas redes sociais! Procure escolher pessoas diferentes de você, mas que merecem sua admiração.

Pense em pessoas da sua geração, da sua região.

Tente falar bem de gente com quem você não tem contato, gente de estilo de Capoeira diferente do seu, gente com quem você divide o mercado de trabalho. Falando bem do outro você está falando bem da sua arte também!

Seja um exemplo da mudança que você quer ver no mundo.

Incentive seus amigos a participarem e façamos a maré subir!

Procure no facebook e veja como está a campanha #capoeirafalabem

Axé!

Ferradura

PS – Comente, compartilhe, concorde ou discorde e marque os amigos que precisam ouvir o que foi falado aqui, mas não fofoque ;)!